725/ Cidadão Kane de carne e osso

Do O Povo OnLine

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Murdoch: fazedor de reis(Foto:Timothy A. Clary/AFP)

Rupert Murdoch ostenta sua influência política, tendo apoiado sucessivamente George W. Bush e Hillary Clinton, Margaret Thatcher e Tony Blair, construindo uma reputação de fazedor de reis. Aos 76 anos, Murdoch reina sobre um gigantesco império que teria feito empalidecer de inveja o Cidadão Kane, o personagem do filme de Orson Welles em 1942.

Proprietário de 175 jornais em todos os continentes, ele possui nos Estados Unidos o canal de televisão Fox, os estúdios de cinema 20th Century-Fox e o site na Internet, MySpace.

Nascido em 11 de março de 1931 em Melbourne, Keith Rupert Murdoch herdou ainda jovem duas pequenas revistas na região de Adelaide.

Em 1969, ele comprou as publicações britânicas News of the World e The Sun, que se tornariam os dois maiores representantes da imprensa sensacionalista do país. Ele se lançou à conquista dos EUA em 1976, ao adquirir a revista New York Magazine e o jornal New York Post, de Nova York.

Em 1981, ele deu outro passo na direção do controle da imprensa britânica ao comprar os influentes diários The Times e Sunday Times. Hoje, seu grupo News Corporation tem uma capitalização de US$ 70 bilhões em Wall Street.

Agora, 2007, o conglomerado News Corporation, vai assumir o controle do grupo Dow Jones & Co. e de seu carro-chefe, o diário The Wall Street Journal, de Nova York, após um acordo de venda de mais de US$ 5 bilhões de dólares que sacudirá a paisagem dos meios de comunicação nos Estados Unidos.

“Segundo os termos do acordo, que foi aprovado pelos conselhos de administração de ambas as companhias, os acionistas do Dow Jones receberão 60 dólares em espécie por cada ação do lote comum e ação do lote comum de classe B que possuem”, afirmou um comunicado publicado no site da Dow Jones.

O News Corporation ainda precisa da aprovação do organismo regulador norte-americano para que o acordo seja efetivado. No entanto, Murdoch já afirmou que não acredita que esse ponto representará um problema. The Wall Street Journal destacou que o acordo estará totalmente concluído antes do fim deste ano.

A resolução de ontem conclui três meses de intensas negociações entre a News Corporation, o Dow Jones e a família Bancroft, que controla esse último grupo desde 1902 e cujos membros, 33 no total, se mostraram profundamente divididos em suas decisões. O Wall Street é um dos mais prestigiosos e famosos jornais econômicos do mundo, com uma forte base de assinantes nos cinco continentes.

Uma parte da família Bancroft era contrária ao acordo e alegava as ameaças que pesavam sobre a integridade das publicações do grupo Dow Jones, caso a empresa fosse comprada por um grupo de informação generalista e de entretenimento, como é o conglomerado de Murdoch.

Os mais refratários permaneceram em suas posições até o fim. Mas, na terça-feira, um braço da família que representava 9,1% dos direitos de voto mudou de lado e decidiu apoiar a oferta de Murdoch. Este braço dos Bancroft estabelecido em Denver, Colorado, permitiu inclinar a balança a favor da compra (32%), além do mínimo de 30% necessários para que Murdoch atingisse sua meta.

Os 33 membros da família têm 64% dos votos e 24% do capital. A oferta de Murdoch ao grupo familiar foi generosa: com um preço de 60 dólares por ação, representa uma valorização de 65% sobre a cotação do grupo na bolsa (36,33 dólares) antes de 1º de maio. Dos US$ 5 bilhões, os Bancroft receberão US$ 1,2 bilhão dada sua participação no capital total.

Os funcionários de The Wall Street Journal e do grupo Dow Jones estão divididos em Nova York, com muitos temendo a perda de liberdade editorial no veículo. Desde a oferta de US$ 5 bilhões feita por Murdoch em maio passado, os jornalistas tentavam dissuadir a família Bancroft, de vender o veículo ao empresário.

“Vemos um futuro sombrio para o jornalismo”, disse um repórter que pediu para não ser identificado. “Os Bancroft colhem o que eles plantaram, se posso dizer assim, quando nomearam para a liderança do grupo o presidente Richard Zannino, que não é jornalista e é ex-responsável por uma empresa de cosméticos”, acrescentou.

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