749/ Café: Gostoso e saudável

Do Diário do Nordeste

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Que tal uma pausa nas atividades para o tradicional cafezinho? Cada vez mais popular entre os brasileiros, talvez pelo preço convidativo, a bebida adquire espaço cativo na mesa e no coração das famílias.

A história do café pelo mundo

Bebida tradicional e saborosa, o café tem espaço cativo na mesa dos brasileiros. Mas será que as pessoas conhecem sua história e sua chegada ao Brasil? Planta nativa da Etiópia, país do continente africano, estima-se que seja conhecida há mil anos no Oriente Médio, especialmente na região de Kaffa, daí, talvez, tenha surgido o nome.

Em nosso País, foi introduzido no ano de 1727 pelo oficial português Francisco de Mello Palheta, que, vindo da Guiana Francesa, trouxe as primeiras mudas. Segundo relatos de historiadores, no Ceará, a primeira planta foi trazida da França por José de Xerez Furna Uchoa, e plantada no sítio Santa Úrsula, na serra da Meruoca.

Esgotado o ciclo da mineração do ouro no Estado de Minas Gerais, o café ganhava cada vez mais espaço, provocando a emergência de uma aristocracia e promovendo o progresso do Império e da Primeira República. Penetrando pelo vale do rio Paraíba, chegou a São Paulo, que, a partir da década de 1880, passou a ser o principal produtor nacional.

O café, por ser fonte de prestígio e riqueza, foi criando, em toda sua marcha, diversas cidades, e, além disso, fazendo a fortuna de alguns aristocratas. Ao final do século XIX, o Brasil controlava o mercado cafeeiro mundial. A ação urbanizadora do produto permitiu também a modernização das grandes cidades e motivou a revolução nos transportes, com a implantação das primeiras estradas de ferro do País.

Em 1906, no entanto, a crise do café atingiu seu ponto máximo. A safra desse ano ultrapassou os 20 milhões de sacas, para um consumo mundial inferior a 16 milhões, enquanto os preços continuavam a cair. Tentando reverter a situação, os presidentes Jorge Tibiriçá (São Paulo), Nilo Peçanha (Rio de Janeiro) e Francisco Salles (Minas Gerais) sugeriram ao governo um plano de valorização do grão.

Conhecido como Convênio de Taubaté, o acordo fixou alguns princípios: preço mínimo para a saca de café; negociação de um empréstimo externo de 15 milhões de libras esterlinas para custear as compras de café a serem feitas pelos Governos estaduais; criação de um fundo para a estabilização do câmbio; e imposição de uma taxa proibitiva para impedir o surgimento de novas plantações do produto.

Em 1909, finalmente, surgiram os primeiros efeitos benéficos da política de valorização. De lá para cá, o café vem tendo seus altos e baixos, no entanto, sem nunca cair no esquecimento, e, principalmente, sem perder o lugar de destaque na alimentação dos brasileiros.

Curiosidades

1. O consumo per capita de café no Brasil aumenta de 5,14 quilos para 5,28 quilos por ano. Segundo torrefadores, a alta no consumo deve-se a elevação do poder de compra.

2. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café, o consumo brasileiro de café deverá saltar das atuais 16,33 milhões de sacas demandadas em 2006 para 21 milhões de sacas em 2010.

3. No dia 24 de maio é comemorado, em todo o País, o Dia Nacional do Café.

4. No Brasil, a produção estimada de café em 2007 é de 32,9 milhões de sacas. Deste total, cerca de 88% são de café verde, 11% são do tipo solúvel e 1% de café industrializado.

5. O café brasileiro invadiu a Ásia e já conquistou o mercado. Torrefadoras e cooperativas estão investindo cerca de US$ 2,5 milhões em cafeterias naquele continente.

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Alguns cuidados a serem observados

Conforme Maria Lúcia Barreto Sá, nutricionista, especialista em Nutrição Humana, mestre em Educação e professora do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará (Uece), por conta, principalmente, da cafeína encontrada, o consumo deve ser feito de forma bastante moderada.

Segundo afirma Maria Lúcia, os principais problemas relacionam-se à cafeína, componente essencial do café. Considerado um dos mais conhecidos e populares estimulantes, se utilizado em excesso, pode atuar com mecanismos semelhante às anfetaminas e à cocaína, sem, no entanto, o efeito alucinógeno.

O Departamento Americano de Agricultura e a Associação Americana de Café, informa que cada xícara de café fervido (172 gramas), contém, aproximadamente, 103 miligramas de cafeína.

“Por conta de todas essas questões, devemos caminhar sempre pela linha da prudência. O ideal é que sejam consumidas, no máximo, três xícaras pequenas ao dia”, revela a nutricionista.

Outra grave questão associada à utilização do café, mais uma vez por conta da cafeína, relaciona-se à redução da densidade mineral óssea, aumentando o risco de fratura no quadril e influenciando negativamente na retenção de cálcio.

“A prevenção de várias doenças como a osteoporose, por exemplo, exige cuidados importantes desde a infância, tendo em vista que a boa formação e a densidade óssea ocorrem até os trinta anos”, ressalta Maria Lúcia.

Quando o assunto é a utilização do café por crianças, a professora de nutrição da Uece é enfática ao dizer que a infância é um ciclo da vida onde o café não deve ter muita participação na alimentação diária. Segundo a nutricionista, o consumo deve ser evitado, principalmente, se o estado nutricional da criança estiver comprometido, ou seja, se houver um déficit no peso corpóreo.

“Além de inibir o apetite e interferir na alimentação, o café pode, também, ter efeito nocivo sobre o sono”, conta. Quando a situação refere-se aos idosos, Maria Lúcia diz que o histórico de saúde deve ser verificado para que, só então, alguma medida possa ser tomada. “Se um indivíduo é idoso e hipertenso, o ideal seria que não fizesse uso do café, ou se, tendo por base seu consumo habitual, pudesse diminuí-lo. Pelo fato de ser uma bebida altamente popular, essas recomendações nem sempre são seguidas”, assevera.

Muitos acreditam que todos esses malefícios relatados possam ser resolvidos por meio do café descafeinado. O uso desse tipo de produto é uma excelente opção para aqueles que apreciam o sabor do tradicional cafezinho, mas que desejam evitar os efeitos da cafeína. Uma das curiosidades observadas durante o processo é que, após os grãos serem lavados e 99% da cafeína ser dissolvida, ela é isolada e vendida para a indústria farmacêutica, que a utiliza na fabricação de diversos medicamentos.

Uma boa alternativa para os que desejam evitar o café, é o consumo dos chás, tanto pretos como mates. Apesar de também conterem a cafeína, sua quantidade é menor e, além disso, estudos recentes observam que seu uso pode evitar o aparecimento de osteoporose em mulheres.

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