757/ Líbano: Michel Aoun vence eleições, mas está longe da presidência

Do PanoramaBrasil

O líder cristão-maronita da oposição libanesa, Michel Aoun, obteve vitória numérica nas eleições complementares, mas não política, o que provavelmente atrapalhará suas aspirações presidenciais e complicará futuramente a crise que já dura cerca de nove meses.

O seu rival, o ex-presidente Amin Gemayel, também cristão-maronita, aceitou, de fato, a derrota, mas deixou claro ter obtido a maioria dos votos em sua comunidade.

O candidato de Aoun, Camille Khuri, venceu Gemayel por apenas 418 votos no distrito de Metn, província ao norte de Beirute, e poderá, assim, ocupar o posto que foi de Pierre Gemayel, seu filho e ex-ministro da Indústria, assassinado em novembro do ano passado na capital libanesa.

A vitória de Aoun, aliado ao movimento xiita Hezbollah, que conduz a oposição sustentada pelo Irã e Síria, foi possível graças aos votos da comunidade armena-greco-ortodoxa, concentrada em sua maioria em Metn e fiel a Michel al-Murr, político tradicionalmente próximo a Damasco, porém, dois terços dos maronitas do distrito mostraram sua preferência por Gemayel, enquanto nas eleições legislativas de 2005 tinham, ao contrário, votado em massa em Aoun.

“Cinqüenta e sete por cento dos maronitas de Metn votaram em mim em relação a 43% que votaram contra”, disse hoje numa coletiva de imprensa o ex-presidente Gemayel.

A mudança de postura do eleitorado maronita é visto por muitos observadores como um duro golpe a Aoun, que nos últimos dois anos sempre se mostrou como “o mais forte líder maronita” e, em conseqüência, o candidato com mais credibilidade para a Presidência da República, cargo tradicionalmente entregue a um expoente cristão-maronita.

Para o jornal al-Safir, aliado da oposição, “Aoun derrotou Gemayel”, um outro possível candidato à Presidência, e venceu a coalizão anti-Síria das “Forças do 14 de março”, majoritária no governo e no Parlamento e apoiada pelos Estados Unidos, União Européia e países árabes do Golfo.

O jornal admite, entretanto, que a aliança com o Hezbollah danificou, de fato, a popularidade de Aoun, e o jornal Al-Nahar afirmou que “essa hemorragia popular terá efeitos negativos nas esperanças presidenciais do ex-general.”

Segundo o líder Walid Jumblat, aliado de Gemayel, as eleições complementares “mostraram uma vitória política porque foi abalado o mito de Aoun” como o principal líder cristão.

“Gemayel e as Forças do 14 de março venceram a batalha política”, acrescentou Jumblat, que se disse convencido do fato de que “agora as possibilidades de eleger um presidente da República da coalizão do 14 de março são amplas”.

Esse presságio poderia, porém, não acontecer, sobretudo por causa da permanente crise política que há nove meses paralisa as instituições do país, entre elas o Parlamento, que deveria eleger o presidente. A crise surgiu após o pedido da oposição de criar um governo de “unidade nacional” que substitua aquele de Fuad Siniora.

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