786/ Retrospectiva homenageia o gênio do teatro Gianni Ratto

Livia Deodato, do Estadão

gianniratto

Gianni Ratto não admitiria esta exposição de arte sobre sua vida e obra que será inaugurada hoje, se estivesse vivo. Quem garante é sua mulher,Vaner Ratto, responsável pela seleção das quase 400 obras que ficarão expostas até o dia 23 de setembro na Caixa Cultural.

“Gianni gostava de trabalhar e isso, para ele, não significava necessariamente aparecer”, afirma. “Ele não gostava nem de dizer que era artista”, completa Gláucia Amaral, amiga do casal desde 1997 e curadora da mostra que vem sendo articulada desde o fim de 2005, um ano antes dele morrer aos 89 anos, vítima de um câncer na bexiga, em 31 de dezembro do ano passado.

Intitulada Gianni Ratto – Artesão do Teatro, a mostra impressiona logo no início. Cinco imensos painéis, de cerca de 4 metros de altura cada um, mostram planos da cenografia de alguns dos mais expressivos trabalhos desenhados pelo italiano: A Tempestade, de Shakespeare, realizada pelo diretor em 1948 no Jardim de Boboli, em Florença, Itália; Crime e Castigo, de Dostoievski, também de 1948, montada no Piccolo Teatro de Milão; Lucia di Lammermoor, ópera de Gaetano Donizetti, dirigida por Ratto no Teatro Scala em 1954, pouco antes de vir para o Brasil; O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh, montada em 1955, em que se poderá observar uma foto do elenco (com Maria Della Costa à frente) ampliada, recortada e sobreposta ao desenho do cenário; e O Mambembe, de Artur Azevedo, de 1959, com a Cia. Teatro dos Sete, formada por atores do porte de Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi, assim que deixaram o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Sim, ele não só dirigia, como também atuava e desempenhava com rigor as funções de cenógrafo, iluminador e figurinista. E parte significativa de cada uma dessas facetas daquele que foi considerado um gênio do teatro poderá ser conferida pelo público a partir de amanhã (hoje para convidados), gratuitamente.

Figurinos utilizados em seus espetáculos, cedidos pelos teatros municipais do Rio e de São Paulo, um curta-metragem de Luiz Fernando Ramos, com depoimentos de diversos artistas amigos de Ratto, além de uma diferenciada mapoteca que exibe o passo-a-passo de cada linha de seu pensamento para a montagem de um espetáculo, são elementos essenciais para compreender o rico universo teatral do diretor que fez do Brasil a sua pátria.

Gianni Ratto – Artesão do Teatro.

Caixa Cultural – Galeria da Paulista. Avenida Paulista, 2.083, 3321-4400. 3.ª a sáb.,9 h às 21 h; dom., 10 h às 21 h. Grátis. Até 23/9.

Abertura amanhã, às 19 h, para convidados

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