857/ Estudantes de Direito da USP repudiam ocupação da Faculdade do Largo de São Francisco

Lucas Pretti para o Estadao.com.br

Foto: Alex Silva/AE

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Manifestantes ocuparam saguão da Faculdade de Direito durante sete horas hoje

Assim que as primeiras notícias sobre a ocupação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, começaram a ser publicadas, as listas de e-mail dos estudantes da instituição começaram a se encher de mensagens.

A maioria delas relata o que ocorreu e repudia a ação da Jornada Nacional de Lutas pela Educação.

Um dos e-mails, que tiveram a grafia original mantida, diz: “O que vi lá me envergonhou profundamente. Fiquei realmente triste por ser ‘representado’ por esses vagabundos do XI [Centro Acadêmico XI de Agosto]. Enfim, ocupei uma cadeira, a galera fitou por alguns segundos minhas madeixas e continuou a conversa. Era uma reunião da gestão. Estava com a palavra uma gordinha loira de casaco roxo. Disse exatamente essas palavras: ‘gente, foi do c…! Está sendo muito legal. Fui hostilizada, inclusive fisicamente, mas está valendo a pena. A galera ficou me pressionando por mto tempo também, mas temos q resistir!’. Não acreditei no que estava ouvindo! A galera do Fórum resolveu emprestar a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco para alguns manifestantes passarem a noite. Estou mto revoltado”.

Em resposta, um outro aluno escreveu o seguinte: “Foi triste ter que sair pela porta dos fundos da Sanfran. Foi triste ter que pedir para sair da faculdade. Foi triste não poder entrar pela porta da frente. Isto vai ficar para sempre pregado na cara de todos os componentes do Fórum de Esquerda. Eles venderam a faculdade para os movimentos sociais. Que a vergonha os acompanhe!”

Segundo um aluno do segundo ano de Direito, o grupo político Fórum de Esquerda, que comanda o Centro Acadêmico XI de Agosto, cedeu espaço para os manifestantes, mas “nem eles sabiam” o que iria acontecer. “Não somos contra a manifestação, mas a forma como foi feita”, afirmou a fonte.

Outro dos e-mails enviados por alunos protesta contra a “gentinha”. “Doeu ter q escutar os caras gritando a há u hu, a são francisco é nossa (essa é a ala atrasada da esquerda, q se apossa do q é público – um exemplo: os q estão no poder). Pensar que amanhã podem ter quebrado até os vitrais (já tinham quebrado vários móveis do prédio anexo pra fazer a barricada.”

O estadao.com.br telefonou três vezes para o presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Ricardo Leite Ribeiro, o “Sapeca”. Na primeira, o estudante atendeu, mas desligou o telefone ao saber se tratar de um repórter. Nas outras duas, o celular dava sinal de caixa postal.

O que é a Jornada pela Educação promovida pelo MST?

A jornada foi acertada em torno de um documento com 18 recomendações para a melhoria da educação publica. Os dois primeiros falam em erradicação do analfabetismo e fim do vestibular e dos processos excludentes de seleção para ingresso em universidades.

Acesso Universal

Em carta divulgada pelo movimento, o MST convoca os manifestantes a lutarem “uma ampla e organizada manifestação da nossa insatisfação diante do quadro em que se encontra a educação pública brasileira”.

Eles cobram que o “acesso ao ensino superior seja universal”.

Veja as 18 recomendações para melhoria da educação pública:

1. Pela erradicação do analfabetismo;

2. QUEREMOS ESTUDAR: garantia do acesso da classe trabalhadora a educação publica de qualidade e socialmente referenciada em todos os níveis.Fim do vestibular e dos processos excludentes de seleção para ingresso;

3. Implementação de políticas de ações afirmativas capazes de reverter o processo histórico de exclusão, com gratuidade ativa e políticas de assistência estudantil para garantir a permanência;

4. Ampliação do investimento público da educação pública para no mínimo 7% do PIB;

5. Em defesa da expansão de vagas com garantia de qualidade e abertura de concursos para professores e técnico-administrativos e infra-estrutura adequada;

6. Autonomia das universidades frente as ingerências de governos e mantenedoras;

7. Em defesa de uma formação universitária baseada no tripé ensino, pesquisa e extensão e contra a mercantilização da educação e da produção do conhecimento;

8. Por uma avaliação institucional de educação superior socialmente referenciada, com participação dos estudantes, profissionais da educação e movimentos sociais, sem caráter produtivista, meritocrático e punitivo;

9. Gestão democrática, com participação paritária de estudantes, técnico-administrativos e docentes em todos os níveis de decisão das instituições e sistemas de ensino;

10. Controle público do ensino privado em todos os níveis. Pelo padrão unitário de qualidade na educação. Pela redução das mensalidades e contra punição dos inadimplentes;

11. Garantia da livre organização sindical e estudantil, em especial, nas instituições privadas. Em defesa do direito a greve;

12. Por um sistema nacional de educação que impeça a fragmentação entre os diversos níveis e garanta a obrigatoriedade no ensino médio publico.

13. Contra a privatização do ensino público e dos hospitais universitários, seja por meio das fundações privadas seja pela aprovação do projeto de criação de fundações estatais;

14. Pela garantia dos direitos conquistados pelos professores e técnico-administrativos das instituições públicas, contra o Projeto de Lei Complementar – PLP 01;

15. Pelo Passe Livre Estudantil financiado pelo lucro das empresas de transportes;

16. Em defesa de um piso salarial nacional para os trabalhadores da educação calculado pelo DIEESE para a jornada de 20 horas;

17. Pela derrubada dos vetos ao PNE 2001. Pela construção coletiva do novo PNE da sociedade brasileira que atenda as reivindicações históricas da classe trabalhadora;

18. Pela imediata implantação da lei 10.639 /2003em todos os níveis educacionais.

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2 comentários sobre “857/ Estudantes de Direito da USP repudiam ocupação da Faculdade do Largo de São Francisco

  1. Alguém sabe como achar o Cláudio Sandino. Se ele tem face ou blog? Nos anos 80 morei na sao João na nossa republica e perdemos o contato!

  2. É impressionante a visão atrasada que algumas pessoas ainda conservam de tempos em que a democracia era um sonho sufocado no peito por homens de farda que comandavam o país.

    A Universidade de São Paulo é mantida por toda a sociedade paulista, da qual fazem parte as meninas e os meninos bem nascidos que estudam na Faculdade de Direito do Largo São Francisco que tiveram a oportunidade de estudar a vida toda em bons colégios, mas também fazem parte da sociedade as meninas e os meninos que não nasceram em berço de ouro, aos quais a sociedade paulista ofereceu as migalhas de um sistema educacional que aprova mesmo os analfabetos, fazem parte desta sociedade os negros, a quem a história do nosso país tem uma dívida impagável.

    Os movimentos sociais ― bem como qualquer cidadão que individualmente quiser ― não precisam pedir autorização nem aos alunos, nem a reitora, tampouco ao governador para adentrar num espaço PÚBLICO. Essa postura, reacionária, nada mais é do que ódio de classe, a pobreza é feia e até fede, mas é o preço que se paga para que alguns (ou, melhor, poucos) possam gozar privilégios. E a Faculdade de Direito da USP é um dos maiores símbolos do quanto nossa sociedade é excludente.

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