888/ Sarkozy sugere o Brasil no Grupo dos Oito

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O presidente francês Nicolas Sarkozy sugeriu nesta segunda-feira que o G8 se convertesse em G13 e passasse a incluir, entre outros países, o Brasil. Considerou “inaceitável” que o Irã desenvolva arma nuclear e defendeu uma retirada progressiva das forças americanas do Iraque.

Quanto à ampliação do G8, o presidente francês defendeu, além da participação brasileira, a presença de China, Índia, México e África do Sul, justificando que o diálogo mantido com estes países nas recentes cúpulas do G8 “deveria ser institucionalizado”.

Esta evolução se justificaria, segundo Sarkozy, tanto pela necessidade de aumentar os acordos econômicos, como por uma “cooperação estreita entre os países industrializados e os grandes países emergentes para lutar contra a mudança climática”.

Em seu primeiro discurso sobre política externa desde que foi eleito, Sarkozy, partidário de uma “Europa forte” e de uma boa “amizade” com os EUA, expressou a vontade de que a França esteja no primeiro plano na cena internacional e que, para isso, a Europa será sua “prioridade absoluta”.

Freqüentemente qualificado de “pró-americano”, Sarkozy defendeu a “amizade” entre Paris e Washington.

Mas “sermos aliados não significa dizer que somos alinhados e eu me sinto perfeitamente livre para exprimir nossos acordos e desacordos, sem complacência nem tabu”, disse ele.

Além disso, ele também pediu nesta segunda-feira um calendário claro de retirada das tropas americanas do Iraque e defendeu a necessidade de uma “Europa forte” em um mundo ameaçado pelo terrorismo e pelo “desafio” de um confronto entre o Islã e o Ocidente.

Retomando a tese contestada do “choque de civilizações”, ele descreveu um mundo ameaçado pelo terrorismo, que quer o Ocidente como o “mundo muçulmano”, assim como o risco de um confronto com o Islã.

Sarkozy ressaltou o “dever” de uma “cooperação total” entre os serviços de segurança dos países que enfrentam este conflito “desejado por grupos extremistas, como a Al-Qaeda, que sonham em instalar na Indonésia ou na Nigéria, um califado que rejeite a abertura e a modernização”.

“Se estas forças alcançarem seu sinistro objetivo, não resta dúvida de que este século será pior que o anterior”, observou o presidente.

E alertou: “Imaginemos o que aconteceria amanhã se os terroristas utilizassem meios nucleares, biológicos e químicos”.

Sarkozy denunciou a criação de um “Hamastão” na Faixa de Gaza, em referência a expansão do movimento islâmico do Hamas, e o risco de uma “tomada de controle de todos os territórios palestinos pelos islamitas radicais”.

Sobre o dossiê iraquiano, Sarkozy declarou que a França foi e continua sendo “hostil” à guerra americana no Iraque.

Apenas uma “solução política” poderia colocar fim ao banho de sangue entre sunitas, xiitas e curdos, destacou Sarkozy em seu discurso diante dos embaixadores franceses reunidos em Paris.

Esta solução “passa pela marginalização dos grupos extremistas e por um processo de sincero de reconciliação nacional”, disse ele.

Os apelos para o começo de uma retirada das tropas americanas do Iraque se multiplicaram nas últimas semanas nos Estados Unidos, o que a Casa Branca até agora se nega a fazer.

Paris tenta assumir um papel de “mediador” no Iraque, uma mudança de postura manifestada pela recente visita à Bagdá do chefe francês de diplomacia, Bernand Kouchner.

O ministro precisou se desculpar nesta segunda-feira por ter pedido a substituição do primeiro-ministro Nouri al-Maliki numa entrevista.

Outro ponto delicado apontado pelo francês como uma “grave crise” é a questão nuclear do Irã: Sarkozy reafirmou como “inaceitável” a possibilidade de Teerã desenvolver a bomba atômica.

Neste mundo onde reina a “divisão” e a “perda de controle”, Sarkozy garantiu que sua “prioridade absoluta” é reforçar a Europa, anunciando “iniciativas fortes” no âmbito da Defesa para o continente.

Em um tom mais brando e voluntarista, a luta contra o aquecimento climático, então tido por Paris como prioridade, só recebeu uma breve referência.

Jean-Luc Mélenchon, líder socialista, afirmou que com este discurso, Sarkozy se alinhou com “a visão do mundo defendida pelo presidente Bush e os neoconservadores americanos”.

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