904/ Potências asiáticas na corrida espacial para Lua

Do Estadao.com.br

Associated Press

selene-interna

Ilustração dos satélites da missão japonesa Selene, que deve partir em setembro

O Japão alega que seu projeto é o maior desde que o programa Apollo levou o homem à Lua. A China, esperando abrir caminho para missões tripuladas, afirma que suas sondas estudarão a superfície lunar para ajudar a planejar um pouso.

Mas a grande questão não é a respeito da ciência: é quem vai chegar primeiro.

Com as principais potências da Ásia preparadas para lançar suas primeiras missões lunares talvez já em setembro, a contagem regressiva tem início na corrida espacial mais quente desde a Guerra Fria.

A agência espacial japonesa disse, na semana passada, que seu satélite lunar Selene segue com lançamento previsto para 13 de setembro, após anos de adiamentos.

Quanto à China, há rumores de que planeje lançar, também em setembro, sua sonda Change 1, mas o governo em Pequim não revela a data exata.

O satélite chinês e o foguete que deverá arremessá-lo rumo à Lua, o Changzheng 3, já passaram por todos os testes e a construção da base de lançamento foi concluída, informa o website da Administração Nacional de Espaço chinesa. Em julho, o ministro chinês de Defesa e Tecnologia afirmou que o lançamento deve ocorrer “até o fim do ano”.

Autoridades nos dois países minimizam a rivalidade regional na questão, mas o clima de corrida nunca está muito abaixo da superfície.

“Não quero que esta vire uma questão de quem ganha ou quem perde, mas creio que, não importando quem lance primeiro, a missão japonesa é tecnologicamente superior”, disse um executivo a agência espacial japonesa, Jaxa, Yasunori Motogawa.

O programa espacial chinês, administrado por militares, deu um grande passo em 2003, quando a China se tornou o primeiro país,  em décadas, a desenvolver a tecnologia necessária para pôr um homem no espaço.

Mas o Japão nunca esteve muito atrás. Autoridades do país dizem que o projeto Selene é a maior missão lunar desde o programa Apollo em termos de abrangência científica, superando o programa Luna da extinta União Soviética e os projetos Clementine e Lunar Prospector, da Nasa.

O programa japonês prevê a colocação de um satélite principal em órbita lunar, que soltará dois satélites menores.

Já a sonda chinesa Change 1 usará câmeras 3D e espectrômetros de raios-X para mapear a superfície lunar e estudar sua composição.

Pequim espera trazer amostras para estudo na Terra em missões futuras, e a agência de notícias oficial, Xinhua, já noticiou que astronautas chineses poderão ser enviados ao satélite dentro de 15 anos. O Japão analisa o envio de astronautas em 2025.

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