912/ Italianos estudam fórmula para roupa de "homem-aranha"

Do UAI

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Cientistas italianos estão realizando pesquisas para chegar a uma roupa de “homem-aranha”, que possibilite àqueles que a usam escalar paredes como o super-herói do cinema.

Os estudiosos estão analisando o funcionamento da “tecnologia natural” existente em aranhas e lagartixas, que possuem minúsculas estruturas semelhantes a pêlos que as permitem se aderir a vários tipos de superfície.

Algumas pesquisas sugerem que as lagartixas podem suportar centenas de vezes o seu próprio peso. Se for reproduzida numa roupa para humanos, essa tecnologia permitiria aos usuários não apenas escalar prédios, mas também se pendurar no teto de cabeça para baixo.

Força de atração

Uma pesquisa americana realizada em 2002 revelou que a capacidade de aderência das lagartixas se deve a forças intermoleculares produzidas por bilhões de pêlos encontrados nas patas do réptil.

As forças intermoleculares aumentam quando descargas elétricas em volta das moléculas provocam sua atração.

A força de atração acumulada entre bilhões de pêlos permite às lagartixas subir pelas paredes e ficar de cabeça para baixo mesmo em superfícies polidas, como o vidro.

O professor Nicola Pugno, do Instituto Politécnico de Turim, na Itália, calculou a aderência necessária para suportar o peso do corpo humano.

“As pesquisas foram capazes de medir, em teoria, uma força de aderência 200 vezes maior do que a encontrada na lagartixa”, ele afirmou. Mas admitiu: “Há uma grande diferença entre teoria e prática”.

Limpadores de janela

Em uma eventual “roupa de homem-aranha”, o pesquisador propõe que nanotubos de carbono desempenhem o papel dos pêlos das lagartixas.

Os nanotubos são minúsculos cilindros que medem um bilionésimo de metro. Apesar disso, são muito resistentes e podem ser organizados em grandes filamentos.

O cientista apontou três habilidades que devem ser demonstradas por um “homem-aranha” de verdade.

Primeiramente, e mais importante, ele deve ter grande capacidade de aderência.  Em segundo lugar, deve poder se “descolar” da superfície quando necessário. Por último, ser capaz de se “auto-limpar”. Isto porque, explica o pesquisador, partículas de sujeira podem penetrar na estrutura, prejudicando a aderência.

Entretanto, a limpeza não pode ser feita com água. A solução seria tornar a roupa “super-hidrofóbica”, capaz de repelir água e ainda eliminar a sujeira.

“Ter todos esses mecanismos funcionando ao mesmo tempo é difícil, porque eles competem entre si. Mas aranhas e lagartixas já demonstraram que é possível”, diz o pesquisador.

Pugno acrescentou que a roupa aderente poderia no futuro ser aplicada em missões espaciais e de defesa, e inspirar novos designs de luvas e sapatos para limpadores de janelas que trabalham em arranha-céus.

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