953/ Plástico comestível para proteger os alimentos de bactérias

Do Diário dos Açores

O departamento de Química da Universidade Rutgers e outros laboratórios semelhantes, estão se desenvolvendo pesquisas com ingredientes como orégano, cascas de caranguejo e leite.

Num punhado de laboratórios científicos em diversas partes dos Estados Unidos, as pessoas que conversam sobre comida em termos de micróbios e polímeros vêm transformando os recursos naturais de combate a patogênicos encontrados nos alimentos quotidianos em películas e pós comestíveis.

Segundo o New York Times, caso o seu trabalho obtenha sucesso, películas finas contendo um derivado do tomilho capaz de matar a bactéria E. colli podem servir como revestimento para embalagens de espinafre fresco. O mesmo material, em pó, poderá ser aspergido sobre embalagens de carne de frango para deter a salmonela.

Os morangos poderiam ser mergulhados em uma sopa feita de proteínas de ovo e cascas de camarão. A película resultante – invisível, comestível e, idealmente, sem sabor – combateria o mofo, mataria patogênicos e manteria as frutas maduras por mais tempo.

Para o consumidor médio, que ainda encontra dificuldades para compreender conceitos como o da gordura trans, comida revestida de películas invisíveis capazes de atrair microorganismos maus e eliminá-los talvez pareça tão complicada quanto a fusão nuclear. Mas os cientistas da alimentação acreditam que o potencial de uso desses ingredientes quotidianos para aumentar a segurança das nossas fontes de comida seja imenso.

“As películas naturais são um assunto muito quente hoje em dia”, disse Michael Chikindas, cientista da alimentação que trabalha com a equipe da Rutgers. “A gama de aplicações é infinita, de comidas muito delicadas a rações de exército e missões espaciais”.

No nível mais básico, as películas assemelham-se a uma embalagem plástica feita de componentes comestíveis e solúveis em água. As películas podem ser impregnadas com moléculas de cravo, tomilho e outros ingredientes capazes de impedir o crescimento de bactérias daninhas. E, num benefício culinário adicional, elas também podem servir como tempero.

É claro que aquilo que funciona no laboratório nem sempre se adapta bem a uma linha de produção. Até onde sabe a maioria dos cientistas, essas novas películas e pós comestíveis de combate a bactérias ainda não chegaram ao mercado. Mas o momento está próximo, dizem os pesquisadores.

Há pedidos de patente em avaliação, e diversas grandes empresas, grupos de commodities e o governo federal investiram nessa linha de pesquisa. Em qualquer inovação no processamento de alimentos, o momento precisa ser correto tanto para os consumidores quanto para os fabricantes, e talvez o momento seja este.

Reportagens sobre surtos de doenças causados por alimentos tornaram-se parte diária das notícias. Na semana passada, por exemplo, cenouras anãs infectadas com a bactéria shigella tiveram de ser recolhidas em 12 Estados americanos.

Em julho, 96 marcas de molho de chili enlatado e outros derivados de carne tiveram de ser recolhidas, devido a um pânico quanto a botulismo. Em junho, os consumidores foram aconselhados a jogar fora o salgadinho conhecido como Veggie Booty, depois que a presença de salmonella em certos lotes do produto causou doenças a pessoas de 17 Estados.

capitaohaddock3  Paralelo a isto, aqui mesmo no Brasil, a Escola Politécnica/Universidade de São Paulo está desenvolvendo um filme plástico derivado do amido da mandioca, igualmente comestível e com propriedades equivalentes às descritas acima. O problema, conforme a pesquisadora Cynthia Ditchfield, é mais de ordem financeira, pois estão aguardando um parceiro que se habilite a implementar os testes necessários em escala industrial.

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