960/ Papa lastima a falta de crianças na Europa

Da AFP

foto: AFP

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O papa Bento XVI abençoa fiéis no sítio de peregrinação de Mariazell, no segundo dia de sua visita à Áustria. O Papa lamentou a falta de crianças na Europa e culpou o egoísmo e a falta de confiança no futuro de seus habitantes, no segundo dia de sua visita à Áustria que o levou a Mariazell, um lugar de devoção para os católicos de toda a Europa Central.

MARIAZELL, Áustria (AFP) O papa Bento XVI lamentou a falta de crianças na Europa e culpou o egoísmo e a falta de confiança no futuro de seus habitantes, no segundo dia de sua visita à Áustria que o levou a Mariazell, um lugar de devoção para os católicos de toda a Europa Central.

“A Europa se tornou pobre em crianças. Queremos tudo para nós mesmos, e talvez não confiemos o suficiente no futuro”, declarou o líder da Igreja católica durante uma missa ao ar livre celebrada diante de mais de 30.000 fiéis por ocasião do 850º aniversário do santuário dedicado à Virgem.

Na véspera, diante dos dirigentes políticos e diplomatas em Viena, o Papa havia qualificado o aborto de “ato contrário aos direitos humanos”.

Neste sábado, ele também considerou que um mundo sem Deus que “não sabe mais fazer a diferença entre o bem e o mal” enfrenta a “terrível ameaça da destruição”.

Chuva, vento e frio se uniram para transformar esta etapa em Mariazell, perto dos Alpes, num calvário para os peregrinos que vieram assistir à missa do Papa de 80 anos.

O Papa estava protegido da chuva por uma tenda instalada em cima do altar.

Bento XVI, cujo primeiro dia de sua visita à Áustria também havia sido perturbado pela chuva, teve que ir de carro a Mariazell, a 110 km de Viena, abrindo mão do helicóptero que havia sido previsto.

Esta visita ao santuário mariano, que devia ser encerrada cerca das 17H00 GMT (12H00 de Brasília), constituía a etapa principal da viagem do Papa alemão a este país do coração da Europa que ele apresentou como “uma peregrinação” no caminho de Maria, a mãe de Jesus.

Em sua homilia, ele convidou os cristãos a expressarem a verdade de sua fé, tendo em mente a fraqueza de “Jesus nos braços de sua mãe” representada na estátua da virgem de Mariazell, e a do Cristo crucificado.

Ele também afirmou que os cristãos rejeitam qualquer atitude “arrogante” com as outras religiões, mas disse que eles não devem duvidar em ostentar sua fé publicamente.

Ao término da missa, o Papa cumprimentou, em seus idiomas respectivos, os peregrinos húngaros, eslovenos, croatas, tchecos, eslovacos e poloneses. Mais de um milhão de peregrinos da Europa Central vêm rezar todos os anos no santuário de Mariazell.

No fim da tarde, Bento XVI devia se dirigir aos padres, religiosas e religiosos austríacos para confortá-los em sua fé num momento em que sua Igreja, outrora toda-poderosa, passa por uma crise.

Neste sábado, o ministro austríaco da Defesa, Norbert Darabos, reagiu às declarações do Papa sobre o aborto. “Há desacordos” entre a Igreja e o governo, afirmou, destacando que a Áustria não pretende modificar a lei que permite o aborto sob condições.

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