968/ Começa a XIII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro

Livia de Almeida e Sofia Cerqueira para Veja Rio OnLine

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XIII Bienal do Livro Rio 

Com variadíssima programação, uma multidão de visitantes e a presença de nomes consagrados, a Bienal do Livro entra no rol das grandes festas da cidade

foto: Gustavo Stephan/Agência O Globo

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A Bienal de 2005: "O carioca se apossou do evento", diz a escritora Ana Maria Machado

Tamanho é documento, sim. Em sua 13ª edição, a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro pode orgulhar-se de fazer parte dos grandes acontecimentos da cidade, do tipo que atrai multidões, como o réveillon e o Carnaval.

A partir de quinta (13), durante onze dias, a expectativa dos organizadores é que 600.000 pessoas visitem o Riocentro e se esbaldem pelos 55 000 m² de área da feira, que reúne 950 expositores – do autor independente em seu boxe modesto ao megaestande de 600 metros quadrados da Associação Brasileira de Editoras Universitárias.

Mais do que garimpar títulos raros, lançamentos ou pechinchas, o que leva tanta gente até a Bienal é sua variadíssima programação cultural, desta vez ainda mais encorpada. Haverá 133 sessões, com a presença de 326 autores, entre talk-shows literários, debates, homenagens e um pocket-show com a banda Paralamas do Sucesso.

Além de ser gigantesca, a feira tem a capacidade de reunir escritores de todos os tipos e tendências. Estarão lá, quase lado a lado, os romancistas Lygia Fagundes Telles e Antonio Torres, o cronista Luis Fernando Verissimo, o teledramaturgo Gilberto Braga, o rabino Nilton Bonder e a autora espiritualista Zibia Gasparetto.

Aos brasileiros, juntam-se 21 convidados internacionais, entre eles Markus Zusak, autor do best-seller A Menina que Roubava Livros, e a cabeleireira Deborah Rodriguez, de O Salão de Beleza de Cabul.

"A Bienal do Rio não é somente uma feira de livros: é um espetáculo", define o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Paulo Rocco. "O carioca se apossou do evento", analisa a escritora Ana Maria Machado, que participa da mostra desde o tempo em que os expositores se amontoavam em salões do Copacabana Palace, como ocorreu na primeira edição, em 1983. "Deixou de ser um acontecimento promocional da indústria editorial e virou uma festa. Vejo adolescentes que marcam de se encontrar lá nos fins de semana."

Dar a oportunidade ao leitor de ver de perto seu escritor favorito é uma das chaves do sucesso da programação cultural. Nos fins de semana é possível chegar às 10h e emendar atividades até as 22h.

Nenhum espaço da festa é mais disputado por autores e pelo público que o Café Literário, organizado desde 1999 pela historiadora Rosa Maria Araújo, presidente do Museu da Imagem e do Som. "É como se fosse uma sala de visitas, um descontraído talk-show", descreve ela, que conseguiu criar um ambiente atraente até para os introvertidos de carteirinha.

Tanto que o gaúcho Luis Fernando Verissimo não deixa de participar. "A experiência é uma delícia", diz a escritora Adriana Falcão, apoiada pelo psicanalista e autor de tramas policiais Luiz Alfredo Garcia-Roza. "Não tem aquela cara de conferência. É um encontro sem salto alto entre autores e leitores", explica ele. "Há uma certa desarrumação que não é sinônimo de bagunça."

Alguns encontros fogem ao convencional. Na Bienal de 2005, João Ubaldo Ribeiro dividiu o palco com o então técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, para falar de futebol. Agora, João Ubaldo estará acompanhado do poeta Geraldo Carneiro, no domingo (16), com carta-branca para discorrer sobre o que lhe der na telha.

Além de fazer a curadoria do Café Literário, Rosa Maria Araújo responde pelo Fórum de Debates, pelo Jirau de Poesia e por uma novidade na programação, a Esquina do Leitor. "Será um espaço de maior interatividade com o público", diz..

Nos quatro primeiros dias de Bienal, acontecerá no local a série denominada Opinião, em que dois convidados expressam visões antagônicas sobre temas polêmicos. No domingo (16), às 14h, o ateu convicto Ferreira Gullar debate sobre a existência de Deus com o teólogo Rubem Alves.

Auxiliados por um aparelho eletrônico, os espectadores poderão votar e acompanhar a opinião da platéia em um painel. Autores estrangeiros como a gossip girl Cecily von Ziegesar também terão encontros com o público na Esquina do Leitor, com tradução simultânea.

Outra novidade da programação cultural é o Botequim Filosófico, sala comandada por Guiomar de Grammont, diretora do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade de Ouro Preto. "Vamos discutir de forma leve grandes questões contemporâneas: meio ambiente, a esperança no futuro, o narcisismo", explica. A escritora Lya Luft, autora de Perdas e Danos, abre os trabalhos na quinta (13), às 19h. Ela fala sobre a dor. Em mesinhas, a platéia acompanhará o bate-papo com chope e petiscos de um boteco de verdade, operado pela rede Espelunca Chic.

Habitualmente introvertida, Lya é experiente em Bienais e costuma se espantar com as calorosas manifestações dos leitores. "Já houve ocasião em que os organizadores tiveram de me cercar de seguranças para que eu pudesse sair tranqüila", recorda-se. "É um pouco estranho, mas é um impulso de grande afeto."

Desde 1999, a Bienal é realizada no primeiro semestre. Neste ano, como o Riocentro sediou competições dos Jogos Pan-Americanos, a festa teve de ser transferida para setembro.

Foi um bom negócio para o público, que vai encontrar um centro de convenções todo recauchutado. "O Riocentro está mais bonito, bem arrumado e com novo sistema de refrigeração", garante Andréa Repsold, vice-presidente da Fagga, empresa que organiza a feira.

Uma das melhorias é a ampliação da área de estacionamento, que em edições anteriores não dava vazão ao público nos fins de semana. Haverá, inclusive, uma área vip com manobrista (R$ 14,00). Outra facilidade herdada do Pan é a linha de ônibus entre o terminal Alvorada, na Barra, e o Riocentro. "É incrível como a Bienal consegue tirar um monte de gente da praia para ir a um ambiente fechado, e ainda achar bacana", diz o humorista Hélio de La Peña, do grupo Casseta & Planeta. Ou como observa o cartunista Chico Caruso: "Além de ser uma oportunidade de estar em contato com os escritores e trocar idéias, é um lugar onde se pode conhecer gente jovem e bonita, não só por seus corpinhos, mas por suas idéias".

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DEBATES QUE PROMETEM

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SERVIÇO

XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Avenida Salvador Allende, 6555 (Riocentro), Jacarepaguá,
2431-4000. De 13 a 23 de setembro. 9h/22h (sáb. e dom. abre 10h; sex. e sáb. até 23h). R$ 10,00. Cc.: todos. Cd.: todos. Pontos-de-venda: Posto BR Charanga Plus, Avenida Rui Barbosa, s/nº, Flamengo: 8h/21h; Posto BR Piraquê, Avenida Borges de Medeiros, Lagoa: 8h/21h; Posto BR Bougainville, Rua Uruguai com Maxwell: 8h/21h. Venda na internet em www.ingresso.com.br. Estac. (R$ 10,00). www.bienaldolivro.com.br. Abertura prevista para quinta (13) às 12h.

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