992/ As diferenças entre os ritos da missa antiga e atual

Da AFP

missatridentina

A missa em latim, com todos seus rituais e liturgias, poderá ser celebrada oficialmente a partir da próxima sexta-feira. A medida é considerada um importante passo do Papa Bento XVI, na tentativa de reconciliação com os católicos ultraconservadores.

Tudo parece indicar que o decreto (“motu proprio”) foi feito para satisfazer uma antiga reivindicação das correntes tradicionalistas da Igreja Católica e que será realizado com muita discrição.

A decisão do Papa favorece o movimento ultraconservador “lefevrista”, que conta com cerca de 600.000 fiéis e 500 sacerdotes em 26 países, em particular no Brasil, na França, nos Estados Unidos e na Alemanha.

O Papa Bento XVI considerou em seu decreto, que autorizou novamente a celebração de missas em latim, que existe apenas um “ritual” da Igreja Católica, com uma forma “ordinária”, a liturgia atual, e uma forma “extraordinária”, a antiga, embora não haja diferença sensível uma da outra.

A antiga missa em latim, a “de São Pio V” ou “tridentina” na sua versão mais recente (de 1962, sob o papado de João XXIII), poderá ser celebrada pelos sacerdotes e os fiéis que a solicitarem, segundo o decreto divulgado pelo Vaticano no dia 7 de julho e assinado pelo pontífice.

Os sacerdotes das paróquias deverão acolher “de bom grado” os pedidos dos fiéis, que até agora foram poucos.

Bento XVI disse aos bispos, para que se organizem para atender os pedidos dos fiéis.

Nenhuma manifestação ou celebração oficial foi organizada no Vaticano para festejar a volta da celebração em latim, que foi abolida no Concílio Vaticano II, a assembléia que modernizou a Igreja nos anos 60.

Os bispos têm um prazo de três anos para comunicar suas sugestões sobre o tema ao Vaticano.

O cardeal que mais apoiou a volta da liturgia em latim, o colombiano Darío Castrillón Hoyos, celebrará uma missa deste tipo na sexta-feira, mas longe do Vaticano, no santuário de Loreto (centro da Itália), segundo fontes religiosas.

Outro cardeal, o italiano Carlo Maria Martini, de 80 anos, considerado entre os prelados o mais progressista do colégio dos cardeais, afirmou que nunca realizará missa em latim e elogiou as liturgias modernas, no idioma do país em que são celebradas, por serem mais compreensíveis.

O missal (livro litúrgico) de São Pio V foi promulgado em 1570, após o Concílio de Trento, que marcou o início da Contra-Reforma após a crise desencadeada pelo cisma protestante.

O missal sofreu durante séculos diversas modificações, até a última versão de 1962, sob o papado de João XXIII. É por isso que Bento XVI prefere se referir a ele como o missal “de João XXIII”.

Este, inclui uma oração para a conversão dos judeus rezada na Sexta-feira Santa.

O missal de Paulo VI substituiu esta prática por outra que menciona os judeus como o primeiro povo que “recebeu a palavra de Deus”, sem pedir sua conversão.

Este missal foi adotado em 1970 após o Concílio Vaticano II, que concedeu maior participação aos fiéis. Nos meios eclesiásticos se considera agora que os fiéis “participam” da missa, enquanto que no passado se limitavam a assistir.

Com o antigo missal a padre celebrava o ato religioso de costas para seus fiéis, e de frente para o altar. Com o novo, a missa é rezada de frente para as pessoas.

Na missa antiga os fiéis não tocavam a hóstia com as mãos, como ocorre na moderna.

“Ao insistir nessa “dimensão comunitária” da assembléia, perdeu-se o sentido místico do ato, a celebração do sacrifício de Cristo na cruz e sua “presença real” na eucaristia”, criticam os tradicionalistas.

Ao término da missa moderna, os fiéis trocam uma saudação em sinal de paz, outra inovação que os conservadores rejeitam pela mesma razão.

O Papa justificou a decisão como um gesto de “reconciliação”, dirigido aos fiéis que são “muito apegados” a esse tipo de missa.

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