1002/ Filha de Pinochet quer ser deputada no Chile

Do Paraíba.com

luciapinochet

A filha mais velha do general chileno Augusto Pinochet, Lucía Pinochet Hiriart, anunciou, que será candidata a deputada pelo distrito (equivalente a município) de Las Condes, região de classe alta, em Santiago, capital do país.

Aos 65 anos, Lucía contou à imprensa chilena que tomou a decisão em dezembro passado ao ver a “multidão” que fez fila para acompanhar o velório do pai dela – homem que, há 34 anos, liderou um sangrento golpe militar contra o então presidente socialista Salvador Allende.

“Quando meu pai morreu e vi tanta gente na fila para mostrar seu carinho por ele, eu senti que tinha a obrigação de trabalhar pelos que precisam”, disse ela. “Eu sou uma lutadora e quero uma sociedade melhor do que a que temos hoje”.

Lucía Pinochet Hiriart foi diretora da Fundação Pinochet e era definida pela imprensa chilena, quando o pai estava vivo, como espécie de sua “conselheira”. Ela também foi denunciada, em 2004, e mais tarde absolvida no processo de passaportes falsos e contas não declaradas de Pinochet e outros familiares no exterior.

Lúcia disse ainda que os eleitores nas ruas “insistiram” por sua candidatura e afirmou que espera não prejudicar os partidos de direita com sua entrada na política, mas ressaltou que eles também não lhe ofereceram nada. “Ninguém me telefonou, nada”, lamentou, disse que será candidata “independente”, sem apoio formal, de qualquer partido político.

Além de Lucía, Pinochet e a mulher, também Lucía, tiveram outros quatro filhos. Recentemente, um dos netos de Pinochet, o ex-militar Augusto Pinochet Molina, de 34 anos, disse que pretende seguir a carreira política.

Filho de Augusto Pinochet Hiriart e sobrinho de Lucía, Pinochet Molina foi expulso do Exército, poucos dias após a morte do avô, em dezembro do ano passado, depois de fazer um discurso, durante o velório, elogiando a trajetória de Pinochet e criticando o marxismo.

Pinochet Molina – chamado de “Pinochet III” – era capitão do exército e usava farda na hora do discurso, o que não agradou o governo da presidente socialista Michelle Bachelet e as Forças Armadas.

Nos últimos dias, o neto de Pinochet voltou a ser notícia, ao defender a figura do avô, que morreu aos 91 anos. Nesta semana que marcou os 34 anos do golpe militar que levou Pinochet ao poder, mais de 60 pessoas foram presas e outras dezenas feridas.

Um policial foi morto nos confrontos entre manifestantes e a polícia na periferia de Santiago. O caso provocou comoção no Chile e a presidente Bachelet deverá ir ao enterro do policial nesta sexta-feira.

Para o porta voz da presidente, Ricardo Lagos Weber, o Chile ainda é um país “dividido” – entre seguidores e opositores de Pinochet – mas menos que antes.

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