1006/ O triste papel do PT

André Petry para a Veja (nº2026)

Charge 001 - Etica - Quinho

De “campeões da ética”, os petistas se imolam na defesa de Renan, um fóssil da era Collor

Ao cair da tarde de quarta-feira, sob uma chuva fina, parentes, amigos e eleitores do senador Renan Calheiros saíram às ruas de Murici, no interior de Alagoas, para celebrar a vitória do conterrâneo ilustre. Houve carreata e buzinaço, explosão de rojões e queima de fogos.

Em Brasília, na mesma hora, num canto do plenário do Senado Federal, um grupo de petistas, em perfeita sintonia com o entusiasmo muriciense, confraternizava com a salvação de Renan. “Somos a bancada da abstenção”, festejava a senadora Fátima Cleide, do PT de Rondônia, numa animada conversa com os colegas Sibá Machado, João Pedro, Serys Slhessarenko e a indefectível líder da bancada, Ideli Salvatti, a senadora que adora conjugar o verbo “vivenciar” mas que, durante os 110 dias do primeiro processo contra Renan, se recusou tenazmente à vivência da moralidade.

Quem diria que um dia o Partido dos Trabalhadores, daria seu último adeus à ética justamente para salvar da guilhotina o pescoço do ex-collorido Renan Calheiros?

A absolvição temporária do senador dos lobistas não é responsabilidade única dos petistas. “Nada de jogar no colinho do PT”, diz Salvatti, que foi incansável na luta para proteger o senador das notas frias. “Isso é má aritmética”, completa Aloizio Mercadante, que confessou candidamente que, entre absolver e condenar o senador dos bois de ouro, optou pela abstenção. Ah, bom… Isso fez toda a diferença. É preciso coragem para se abster em um momento daqueles.

Mas os dois têm razão: a má aritmética não cabe no colinho do PT, que afinal tem apenas doze senadores, número insuficiente para decidir qualquer coisa. O que ambos escondem é que política não é aritmética. A oposição, basicamente representada por PSDB e ex-PFL, não conseguiu votar unida e acabou dando votos pela absolvição. Calcula-se entre sete e dez votos.

A questão é que o PT, se não tem expressão relevante no terreno da aritmética, teve atuação decisiva no campo da política. Na oposição, ninguém cabalou votos, ninguém fez alianças, ameaças ou chantagens, ninguém fez campanha para livrar a cabeça do senador das fraudes. O PT fez. E como fez. E fez porque achou que deveria fazê-lo.

A insistência petista para eximir-se do desastre no Senado deve-se à vergonha. Os senadores têm vergonha de assumir o que fizeram perante uma opinião pública avassaladoramente pró-cassação.

Têm vergonha inclusive perante uma parcela de petistas que ainda se mantém fiel a antigos princípios éticos do partido. “O PT precisa ter mais firmeza a favor da ética. Essa bandeira histórica tem de ganhar contundência”, reclama o senador Flávio Arns, petista do Paraná, que garante ter votado pela cassação.

“O PT precisa ficar sintonizado com o que o povo pensa, com o clamor das ruas”, completa Arns, um senador que, já se nota pelo discurso, não pertence a núcleos influentes do partido. Se até petistas criticam o PT, por que o partido fez o que fez? “Porque o partido está se misturando cada vez mais com o governo, uma mistura que aliás está na origem do mensalão”, diz o senador Delcídio Amaral, do PT de Mato Grosso do Sul, outro que garante ter votado pela cassação.

“Precisamos acatar o resultado das instituições”, disse o presidente Lula, no dia seguinte, em viagem à Dinamarca. Em vez de agradecer o serviço prestado pelo PT ao seu governo, Lula escolheu tomar distância diplomática em público.

Há outra razão, além da simbiose entre partido e governo, para explicar o vexame do PT: sua renúncia completa e definitiva à ética na política.

O maior rombo no casco ético do PT aconteceu quando veio a público o escândalo do mensalão. Nesse caso, o PT esperneou, negaceou e tergiversou porque espantar o mensalão era uma forma de salvar o próprio partido.

Agora, com a militância a favor do senador condenado pelo Conselho de Ética, ficou claro que o PT não atropela a ética apenas quando se trata de salvar a si próprio. Nada é mais sintomático do desmanche de um partido que fez questão de apresentar-se como portador de uma “nova ética na política”.

O melancólico é que o PT sempre propagandeou ter a missão de mudar a cultura política nacional, impregnada de compadrio, coronelismo, corrupção. O máximo que pode ter acontecido é que, em vez disso, a cultura política nacional é que mudou o PT.

Ou será que a defesa da “ética na política” nunca esteve na alma do partido, servindo apenas como instrumento eleitoral? A leitura dos principais documentos aprovados pelo PT de 1980 até hoje – mais de quarenta no total – sugere que o partido trabalha com o tema da ética à luz das necessidades eleitorais. O assunto era quase ignorado na década de 80, ganhou impulso tremendo nos anos 90, sobretudo logo depois do governo Collor, e voltou a perder ibope nos últimos anos.

Na quarta-feira passada, às 17h28, o site oficial do PT colocou no ar uma nota informando sobre a absolvição do senador do patrimônio inexplicado. Dizia assim:

“Por 40 votos a 35, o plenário do Senado absolveu na tarde desta quarta-feira (12) o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de quebra de decoro parlamentar. A sessão foi secreta e houve seis abstenções. O processo pedia a cassação do mandato de Renan por ele supostamente ter usado dinheiro de uma empreiteira para pagar despesas pessoais”.

E nada mais. No dia seguinte, quando as manchetes de onze dos principais jornais do país – de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco e Ceará – denunciavam a vergonha da salvação do mandato do senador das mentiras, o quadro de notícias do site do PT não trouxe palavra sobre o assunto. Faz sentido. Murici está em festa.

marcoferrari Marco Ferrari(premionacionaldeliteratura@ig.com.br)

André Petry está entre os cinco melhores cronistas políticos do nosso país, conhecido e apreciado por passar a mais absoluta confiança de tudo aquilo que diz. Esta credibilidade advém de todo um trabalho ético inarredável, unido a qualidade de sua escrita, toda ela traspassada de uma grande fluidez, cultura, estilo e fina ironia que não têm comparação.

Exatamente o oposto que apresenta seu colega Diogo Mainardi quem, sabido por todos “pau mandado” por seu patrão, Veja, nem mesmo ele os tolera, pois, ao se ouvir para (re) estruturar pela dicção o conteúdo do que escrevinha perante o espelho, tampa seus ouvidos com cera.

Cera que usara Ícaro.

Caro André

Esta a tua crônica é elogiável como todas as tuas e, como todas as tuas, comete um pecadilho venial. Aquele que imagina que os velhacos, calhordas, safados, canalhas e desfaçatados têm cura. Por isso que as figuras brilhantes de tuas metáforas me entristecem.

Entristecem-me porque elas se perdem nos ouvidos dos incorrigíveis pusilânimes arteiros. É, caro André, como dares essas flores a cheirar aos porcos e imaginar que se contentarão com seu aroma. O trânsito que lhes darão a elas é outra digestão e destino.

O meu pai me ensinava quando era menino que há homens que são exclusivamente filhos do rigor. É chegado o tempo (parece-me André) dos “idus” de marco. Das forcas caudinas¹.
E de que todos saibam suas origens verdadeiras. Isso se consegue com uma nova leitura da história na versão autêntica. Não a de eles que, sugestivamente, deixaram correr. De onde vieram? Quem os mandou? Porquês sobreviveram aos autênticos mártires então?
Eu a tenho.
Claro que, André, poeta, torço para que todos os outros melhores te ouçam.
Que não deixem morrer a força harmoniosa das tuas palavras.
Aquele abraço!
Marco

¹.Sua história é marcada pelos confrontos com gregos e romanos. Os dois maiores centros de poder no momento na região. A poderosa comunidade samnita na tentativa de conciliar o poder na região se infiltrara em Roma – que se transformava numa metrópole aberta a todos os imigrantes das mais diversas etnias – conseguiu através de uma política inteligente que Roma se voltasse contra Cápua. Depois que esta foi derrotada e ambos os lados enfraquecidos, os samnitas deram início a uma série de guerras contra seus vizinhos, com a intenção de conseguir o domínio da Itália. A segunda guerra samnita, terminou em 321 a.C. com a derrota romana e um humilhante desfile dos romanos derrotados pelo desfiladeiro samnita de Caudinae Forculae, onde os mesmos com as mãos amarradas nas costas tinha que se curvar para passar abaixo de uma estrutura de um lança horizontal presa a duas outras cravadas no chão, surgiu do fato o termo jugo. O período de ficou conhecido como a Paz Caudina, por este fato. Os romanos, entretanto, no período de 298 a 290 a.C., iniciaram a terceira guerra samnita, onde forças romanas conseguiram a esmagadora vitória sobre Sentino, reunindo uma coligação com os principais inimigos do povo samnrita, terminava assim o jugo samnita. Todo o centro da Itália caiu então sob o poder de Roma. Ainda houve uma Quarta Guerra contra os Samnitas em 267 a.C. que causou a destruição completa da sua civilização. Pois a dominação só poderia se completa se toda a filosofia e ciência de um povo fossem destruídas, aconteceu o mesmo com as demais etnias conquistadas pelos Romanos.. Exemplos marcantes foram Cartago e a destruição da biblioteca de Alexandria no Egito.(Fonte: Wikipedia)

Anúncios

Um comentário sobre “1006/ O triste papel do PT

  1. O Sibá Machado, que não têm nada de parentesco com o dono da cadeira nr 1 da Academia Brasleira de Letras e seu fundador “Machadinho” deAssis ,assim o chamava o poeta Casimiro de Abreu, mas comoia dizendo, o Sibá “Maxado”, isto mesmo aquele sujeiro aprendeu a falar um pouco alí no Senado, as vestimentas pareciam paracomparecer a festas julinas, um horror,´daí ficamos que estesenhor Sibá era senador “Biônico” sem um voto sequer, nivelava por baixo o Senado, assim como o “Cabelo” aquele brutamonte de BHZ o “Brutus das Alterosas” tambem “biônico”, parece-me salvo engano que 20% dos senadores são “biônicos”, turbinados a Biotônicus Eleitoricus, latinamente falando, é um latim de botequim da Farme de Amoêdo, a altura destes senhores criados nos laboratórios de algum Jurassic Park de Brasilia, assim como o dinossauro “Sarney Putrefatus” encontradolá na Ilha do Cajú pela Universidade do Maranhão,setor de Palenteologia, com uma dinastia de várias eras glaciais quando o Maranón( em espanhol erudito) era Oceano.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s