1019/ A Política é “Relaxar e Gozar”

capitaohaddock3-thumb4 O Blogvisão cumprindo sua vocação de espaço aberto à discussão e livre veiculação de opiniões e idéias, publica o artigo escrito pelo Jonatar Evaristo, nosso leitor:

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Em um país de “Ordem e Progresso”, o que menos se espera é a contradição nestas duas palavras. Na política brasileira é raro avistar o sinal amarelo ao final de uma pista, porém quando se o enxerga é tarde, já está em cima do vermelho. Digo isto porque a maioria dos acidentes são ocasionados por negligência, tapamos feridas e não as curamos. Geralmente, os incidentes ou acidentes são tratados de maneira inadequada, a repetição destes é o alerta que algo está errado.

Após a queda do avião da Gol, há um ano atrás, os controladores aéreos aproveitaram a dramatização da imprensa para revelar a situação no setor aéreo brasileiro, estava anunciado o estopim de um colapso, o transporte aéreo no país praticamente parou de funcionar.

Mesmo o Brasil tendo a terceira tarifa aeroportuária mais cara do mundo, ficamos à mercê das modificações necessárias, recursos mal administrados e mais uma série de problemas, que resultou em salas de embarques cheias, brigas e desentendimentos por parte dos passageiros com os funcionários das empresas aéreas que, neste caso, eram os menos culpados nisto tudo.

Os jornais do plim-plim fizeram disto uma novela, foi ela a primeira a tirar conclusões precipitadas, o que já é usual. Porém estas conclusões não mostraram a pressão das empresas aéreas de continuarem a usar Congonhas como um centro de conexões e triagem de passageiros, e o mais movimentado aeroporto do Brasil acabou sendo o agente principal para o caos que se propagou por todo o país.

Os controladores transferiram a culpa para os que menos apareceram para explicar, um empurra-empurra entre: governo, aeronáutica e as empresas aéreas. Entre tapas e beijos, o pedido de demissão de três diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Resultado da inaptidão do governo em admitir a obsolescência do sistema de controle aéreo, a concorrência entre as empresas aéreas, uma selva capitalista para a venda desenfreada de passagens (overbook). O efeito disto foi uma enorme dor de cabeça e noites mal dormidas nos saguões dos aeroportos para os consumidores, pagantes dos altíssimos impostos deste país.

Este último fatídico desastre da TAM, apenas serviu para confirmar a precariedade do setor de transporte aéreo nacional. Após a queda do avião, culpados apareceram por todos os lados: “falha humana”; “acidentes acontecem”; “a pista”; “a chuva densa”, e até hoje ninguém sabe o certo. E ao fechar esse texto, me assola a dúvida: por quanto tempo os parentes e amigos das vítimas do avião da Gol e da TAM deverão esperar nas salas de embarque lotadas? Infelizmente, o tema “caos aéreo” só é atual para aqueles que ficaram; para os que estão sofrendo a dor de ter perdido um próximo. Para o nosso governo, parece que colocaram um manto do esquecimento por cima de tudo isso. Segundo a “Ministra do Botox”, para se chegar às alturas, o negócio é “relaxar e gozar”. Não necessariamente nesta mesma ordem.

JONATAR EVARISTO, universitário, jonatarevaristo@ig.com.br

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