Arquivo da categoria: Brasil

1033/ As "sobras da História"

Ensaio de Roberto Pompeu de Toledo para a Veja (nº2027)

A trajetória espinhosa de uma família brasileira, da Inconfidência Mineira ao Funrural

ClaudioManueldaCosta

Casa de Claudio Manoel da Costa em Ouro Preto

Num lugar chamado Areião, na vertente sul da Serra do Itacolomi, município de Mariana, outrora terra do garimpo que fez a glória das Minas Gerais, vive a viúva Alberta Maia Gomes, a "Albertina", de 79 anos, nove filhos, 36 netos, nove bisnetos, uma brasileira pobre, de pouca instrução, igual a muitas outras, não fosse por um detalhe: Albertina é uma espécie de sobra da história.

O casebre que as galinhas invadem sem cerimônia, o velho moinho d’água de fazer fubá, o entorno de penúria rural, nada indica uma ascendência ilustre, mas este é, exatamente, o caso: Albertina descende do advogado (formado em Coimbra), secretário do governo da capitania de Minas Gerais, poeta de reconhecidos méritos e infeliz inconfidente Cláudio Manuel da Costa.

A história de Albertina era conhecida desde a infância, por ouvi-la em família, do jornalista mineiro Inácio Muzzi. Na edição de julho da Revista de História da Biblioteca Nacional ele a contou num artigo.

Cláudio Manuel da Costa morreu no dia 4 de julho de 1789, quarenta dias depois de ter sido preso, acusado de integrar a conspirata contra o domínio português. Quem visita a Casa dos Contos, o mais imponente casarão de Ouro Preto, não escapa de ser apresentado ao cubículo em que o poeta foi encontrado morto – suicídio, segundo a versão oficial; assassinato pelos algozes, segundo suspeita que atravessa os séculos.

Cláudio tinha 60 anos e era solteiro. Na poesia, como era moda entre os chamados "árcades", ele cantava as belas pastoras Daliana, Violante, Nise, Eulina – esta última tão branca que "parece escura a neve em paralelo". Na vida real, escassas que eram tais musas, amou a negra Francisca Cardosa, escrava cuja alforria comprou de um vizinho. Teve duas filhas com ela – Francisca e Maria.

O poeta, homem rico, foi reduzido a zero. Teve todos os bens, das fazendas às roupas e aos 406 livros, seqüestrados pela coroa portuguesa. Havia já 25 anos que o marquês de Beccaria publicara Dos Delitos e das Penas, o livro-base do direito penal moderno, que, entre outras coisas, estatuía o princípio da individualização das penas.

Pela lei portuguesa, no entanto, ainda valia castigar os parentes do condenado, e assim seus filhos e netos foram declarados infames. Uma das propriedades de Cláudio era a fazenda da Vargem, lá junto ao Itacolomi, no caminho entre Ouro Preto e Mariana. Ela mudou de mãos várias vezes, desde que foi do poeta. Mas os descendentes continuaram por ali. Por liberalidade dos novos donos, segundo supõe Inácio Muzzi, foi-lhes permitido continuar na franja da fazenda denominada Areião.

Hoje restam no local Albertina, uma filha e o genro, mas já foram bem mais numerosos. Até três ou quatro décadas atrás, distribuídos em nove casas, formavam uma comunidade fechada, que, para não dividir a terra, só casava entre si, primo com prima.

Parentes de Muzzi possuíam uma fazenda vizinha e sabiam, desde que um tio-bisavô do jornalista, o historiador Diogo de Vasconcelos, pesquisara o assunto, que o pessoal do Areião descendia de Cláudio. Aos poucos, a comunidade foi se dispersando, expulsa pela penúria.

Não bastasse a pequena produção de milho, feijão, abóbora e outros itens não encontrar mais mercado, ainda caíram sobre eles, nestas últimas décadas, os rigores da política ambientalista, que proíbe plantações extensivas, corte de madeira, caça e garimpo com máquina na região. Albertina tem na Polícia Florestal uma inimiga. "Eles só vêm aqui para atormentar gente pobre", disse a Inácio Muzzi.

Ela vive dos 700 reais mensais que recebe do Funrural, soma de sua aposentadoria com a pensão do marido. Uma vez, quando o marido ainda vivia, um advogado tentou tomar-lhes as terras. Ao cabo de uma demanda de catorze anos, eles obtiveram o título de propriedade, por usucapião. Albertina tem tanto medo de perder esse papel que, quando viaja, o carrega na bolsa.

Thomas Jefferson, um contemporâneo catorze anos mais novo que Cláudio Manuel da Costa, também teve filho com uma escrava. Entre os descendentes do autor da Declaração de Independência e terceiro presidente dos EUA há hoje uma situação de tensão opondo a ala dos brancos, da linhagem da legítima senhora Jefferson, à originada na senzala.

Os brancos não querem saber dos outros nas anuais festas familiares nem lhes permitem os enterros no cemitério familiar da histórica propriedade de Monticello. No Brasil os descendentes de Cláudio não têm uma ala "legítima" com que concorrer, mas o Monticello que lhes coube é um rude e cada dia mais inútil Areião. Isso diz um pouco das diferentes maneiras de excluir, em um e outro país.

No Brasil pagam-se discutíveis indenizações a vítimas da ditadura e reconhecem-se direitos de quilombolas de duvidosa procedência. Nunca ao estado brasileiro, sucessor da coroa portuguesa nesta banda do Atlântico (quem mandou proclamar a independência?), ocorreu indenizar herdeiros (e herdeiros de alguém hoje tido como herói da pátria) que tiveram seus bens esbulhados e foram tachados de infames.

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1031/ A matrona petista

Julio César Cardoso* para o Jornal Metropolitano

A matrona petista do Senado, Ideli Salvatti, está fazendo história com suas pérolas arguciosas em defesa dos interesses sombrios de seu partido e aliados. Nada contra a sua aptidão subserviente lulista para encontrar justificativas para tudo, inclusive para defender o mandato do senador alagoano Renan Calheiros.

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Quem não se lembra de sua atuação no Senado por ocasião da reforma da Previdência Social, em que foram violentados os direitos adquiridos dos servidores federais inativos?

Naquela ocasião ela e o seu partido reprovavam veementemente o comportamento de alguns "companheiros" que teimavam em não atender ao comando petista, para votar com o governo a famigerada reforma previdenciária. E alguns foram até punidos com a expulsão do PT (ex-senadora Heloisa Helena, ex-deputados Babá e João Fontes, e a deputada Luciana Genro).

Agora curiosamente a combatente senadora de forma capciosa demonstra bom jogo de cintura ao declarar aos quatro ventos que os senadores petistas e aliados votassem o caso Renan de acordo com as suas consciências. Bravo, senadora, bravo! A senhora é uma grande estrategista. Está aprendendo muito com o seu mestre Lula.

Mas essa forma de fazer política de compadrio em que os interesses escusos de troca de favores falam mais alto só tem levado o Parlamento ao descrédito nacional. E a senadora Ideli Salvatti, que vendia uma imagem à nação, em defesa do governo federal, de seriedade política, claudica redondamente ao demonstrar apoio inequívoco a um político sobre o qual pairam fortes acusações sobre a sua vida particular e política. Então, onde está a moralidade política da líder do PT no Senado, para bem representar a sociedade brasileira, que fraqueja quando devia ser forte na defesa da honra do estamento nacional?

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado
Porto Alegre-RS

1029/ Curso online de Formação de Professores em Turismo

Do Portal Fator Brasil

formacaoprofessores

www.unb.br/cet/formatur

Ainda dá tempo de viajar rumo à construção do conhecimento no setor turístico.

Para atender à demanda de alunos que não querem perder a chance de participar do primeiro curso a distância de Formação de Professores no Brasil, o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB) estendeu o prazo das inscrições até 02 de outubro. As aulas iniciam em 22 de outubro de 2007.

A real possibilidade de democratização da educação por meio do ensino a distância foi confirmada pelos resultados do Enade (exame do Ministério da Educação que avalia o ensino superior). Na prova, os alunos de cursos de turismo a distância tiveram melhor desempenho que alunos de cursos presenciais. O resultado foi 52,3 contra 43,1, respectivamente.

UnB sai na frente

Em 2006, foram registradas quase 800 mil matrículas em ensino a distância contra cerca de 310 mil em 2004, de acordo com dados da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

No Brasil, a UnB é pioneira na modalidade de ensino a distância para vagas na graduação e na pós-graduação. No ano passado, foram cerca de 75 mil estudantes, o que equivale a mais da metade do registrado na região Centro-Oeste (55,6%) e a 24,7 mil a mais que o total de matrículas no Norte do país.

O Turismo no Brasil

O mercado de Turismo está em expansão e recebe especial atenção do Governo Federal. Para se ter idéia, até 2010, a estimativa é que sejam criados cerca de 1, 7 milhões de emprego. Isto significa um incremento de U$ 7,7 bilhões na economia do país.

De olho nas tendências do mercado, é que o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília (CET/UnB) lançou o primeiro curso a distância de formação de Professores em Turismo no Brasil.

Construção do conhecimento coletivo

Os alunos contarão com um hotsite do curso que oferecerá um ambiente virtual de fácil interatividade, o software livre chamado Moodle.

A ferramenta está em contínuo desenvolvimento e a cada três meses a versão do software é aprimorada. Assim, será rápida e dinâmica a interação entre alunos e professores. A idéia é proporcionar um ambiente de aprendizagem personalizado para o curso Formação de Professores em Turismo.

O curso

O curso é composto por 18 disciplinas, com carga horária de 375 (trezentos e setenta e cinco) horas/aula, divididas em módulos. Além disso, há 60 horas/aula voltadas à monografia e para os dois encontros presenciais do curso, um para a preparação/orientação da monografia e o outro para a defesa.

Leia trecho de matéria do jornal Folha de São Paulo, publicada em 10 de setembro de 2007. “Pela primeira vez desde a criação do Enade (2004), o Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) comparou o desempenho dos alunos dos mesmos cursos nas modalidades a distância e presencial. Em sete das 13 áreas onde essa comparação é possível, alunos da modalidade a distância se saíram melhores do que os demais.

Nesses casos, turismo e ciências sociais apresentaram a maior vantagem favorável aos cursos a distância. Geografia e história foram os cursos em que o ensino presencial apresentou melhor desempenho”.

Inscrições: Até 02 de outubro de 2007 | Informações: (61) 3307–2946, ramal 231 | E-mail: cetead@unb.br | Internet: www.unb.br/cet/. Clique no ícone Formação de Professores ou acesse www.unb.br/cet/formatur | Inicio das aulas: 22 de outubro de 2007 .

Perguntas Freqüentes

  • 1. O curso é reconhecido pelo Ministério da Educação – MEC?
  • A Universidade de Brasília–UnB tem autorização do MEC para ofertar cursos a distância: de extensão e de pós-graduação.
  • 2. O curso está devidamente aprovado no âmbito da UnB?
  • Sim, o curso está aprovado pela Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação/DPP da UnB. Após a sua conclusão, com aprovação em todas as disciplinas e a monografia, o aluno receberá um certificado de especialista em Formação de Professor em Turismo, da Universidade de Brasília.
  • 3. Como o curso está organizado?
  • O curso está dividido em 18 disciplinas com 375 horas, mais a monografia com 60 horas/aula. Os detalhes com as datas e número de créditos das disciplinas estão no cronograma, disponível na página inicial do site do curso.
  • 4. Haverá aulas presenciais? Onde e quando ocorrerão?
  • Ocorrerão dois encontros presenciais em Brasília. O primeiro está previsto para acontecer nos dias 31 de outubro e 1º de outubro de 2008 para orientação da monografia. O segundo ocorrerá em março e abril de 2009 ao final do curso para apresentação dos trabalhos finais.
  • 5. Qualquer pessoa pode fazer o curso?
  • Sim, desde que seja Graduada – nível superior – e tenha conhecimentos básicos de navegação para a internet.
  • 6. Qual o tempo ideal para me dedicar ao curso?
  • É flexível. O ideal é o aluno dedicar pelo menos 1 hora por dia ou entre 8 e 10 horas por semana.
  • 7. É preciso Graduação em alguma área específica de conhecimento?
  • Não. Qualquer Graduação. O que conta é a motivação para o curso de pós-graduação.
  • 8. Qual o investimento para o curso?
  • O investimento para o curso é de 20 parcelas de R$ 370,00.
  • 9. Tem horário fixo para entrar no Ambiente Virtual de Aprendizagem?
  • Não. O acesso à plataforma será disponibilizado 24 horas/dia.
  • 10. Como saberei quem será meu tutor e como entrar em contato com ele?
  • Por meio de uma carta de apresentação do tutor no início de cada disciplina. Nesta carta de apresentação constarão os horários de plantão e os contatos do tutor.
  • 11. Como posso adquirir o material das disciplinas do curso?
  • Todo o material didático será disponibilizado on-line na plataforma do curso sem restrições de horário para acessá-lo.