1032/ O temido Mal de Alzheimer

Miriam Gimenes do Diário do Grande ABC

hipocampocomMaldeAlzheimer

Hipocampo afetado pelo Mal de Alzheimer

Um mal que degenera o cérebro e elimina a independência do paciente. Temido pela maioria dos idosos, a doença de Alzheimer, que atinge hoje cerca de 1 milhão de pessoas no País, tende a fazer mais vítimas nos próximos anos.

Isso porque as vacinas contra a doença ainda estão em fase preliminar de estudo. Além disso, os especialistas apontam o aumento do número de idosos na população, devido ao aumento da expectativa de vida.

Por esta razão, é importante prevenir a patologia – cujo Dia Mundial é lembrado hoje sexta-feira (21) –, antes de aparecerem os sintomas. Embora indícios apontem que a causa seja hereditária, alguns mecanismos como exercícios físicos e mentais ajudam a, pelo menos, retardá-la.

O diretor científico da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), neurologista Paulo Bertolucci, explica que o Alzheimer começa a se manifestar, em geral, a partir dos 65 anos. “Cerca de 80% dos pacientes ultrapassam esta idade. Somente em casos raros atinge mais novos”, diz.

Segundo o médico, quanto mais idoso for o paciente, maiores são as chances de a doença tomar forma. “Os neurotransmissores ficam mais frágeis e, sem exercitar o cérebro, torná-se mais suscetível à atrofia.”

O coordenador da ABN (Associação Brasileira de Neurologia), Paulo Caramelli, diz que as maiores vítimas da doença são as mulheres. “Devido à maior expectativa de vida.”

Aos primeiros sinais de perda de memória, acrescenta o profissional, o idoso tem de ser levado a um médico. “Muitos confundem a falta de lembranças com problemas da idade, mas quando isso começa a interferir no dia-a-dia, já é um recado do Alzheimer”, alerta.

Vale ressaltar que um diagnóstico preciso só pode ser feito após a morte, já que é necessário que se faça uma análise física do cérebro.

População

Dados do IBGE (Instituto Brasilerio de Geografia e Estatística) apontam que, em 2050, a expectativa de vida do brasileiro será de 81,3 anos e que o número de pessoas com Alzheimer aumentará cerca de cinco vezes.

Por conta das quedas da taxa de fecundidade e diminuição da mortalidade, o envelhecimento da população é irreversível. Este número, de acordo com a integrante do departamento de neurologia cognitiva da ABN, Sonia Brucki, indica que crescerá o número de idosos com o problema. “Assim, quanto antes saírem resultados mais efetivos para o tratamento do paciente, melhor.”

Por enquanto, acrescenta Bertolucci, a novidade prevista para o tratamento é um adesivo, com as mesmas propriedades de um dos medicamentos mais usados hoje pelos pacientes (Exelon).

O antídoto deverá ser colado no tronco da pessoa que manifestar o Alzheimer. “A vantagem é que dará para ver se o medicamento está sendo usado ou não”, explica. Além disso, trará menos efeitos colaterais que o ingerido oralmente.

Fique atento

ESTÁGIO INICIAL:
Compromete memória, raciocínio e linguagem.
Perda de motivação para atividades antes feitas com prazer.
Sinais de depressão e desmotivação com a vida.

ESTÁGIO INTERMEDIÁRIO:
Dificuldades em atividades antes desenvolvidas normalmente no dia-a-dia.
Esquecimento de fatos e ações recentes, além do nome de pessoas conhecidas.
Dificuldade em administrar a casa ou negócios. Esquece de pagar contas e compromissos.
Incapacidade de fazer a própria higiene pessoal.
Maior dificuldade para comunicação verbal: frases desconexas e incompletas.
Problemas de vagância (andar sem parar).
Oscilações constantes do humor e comportamento agitado e agressivo com familiares.
Delírio, depressão e desinibição exagerada.

ESTÁGIO AVANÇADO:
Dependência em todas as ações: se alimentar, vestir e locomover.
Incontinência urinária e fecal. A ida ao banheiro passa a ser feita apenas com a ajuda do cuidador.
Distúrbios de memória acentuados. Quase nada que se passa é lembrado pelo enfermo.
Não reconhece mais parentes, amigos ou objetos pessoais.
O aspecto físico da doença fica mais evidente.
Agressividade acentuada e agitação.

Objetivos do tratamento

– Melhorar a memória com exercícios, além de outras funções mentais.
– Controlar os transtornos de comportamento, como agressividade e depressão.
– Retardar a progressão da doença com medicamentos e exercícios mentais.
– Melhorar a qualidade de vida da pessoa doente, atendendo suas necessidades momentâneas.
– Melhorar a qualidade de vida dos familiares, oferecendo informações sobre como lidar com o paciente.
– Oferecer orientação aos cuidadores para auxiliar no tratamento em casa.

Historia da doença

O mal de Alzheimer é uma doença centenária. Foi em 1906 que o médico alemão Alois Alzheimer, após acompanhar os sintomas em uma paciente, Frau August, 51 anos, expôs sua descoberta no 37º Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, para o mundo.

Sob o título "Sobre uma Enfermidade Específica do Córtex Cerebral", o doutor definiu o mal – que levou seu nome em homenagem – como uma patologia neurológica que causava demência e déficit de memória.

No histórico clínico da senhora August, o médico descreveu que ela já não era mais independente como antes. “Movimenta-se pouco e parece não se importar com comida, mas come com grande apetite quando a refeição é colocada em sua frente. Incapaz de fazer compras e até mesmo de fazer sua higiene.”

Pouco tempo depois, em 1915, o médico foi acometido por uma grave infecção cardíaca e faleceu, na cidade de Breslau, Alemanha.

Vítima – Nos últimos 100 anos, esta doença fez diversas vítimas no mundo. Entre os mais conhecidos, estão o ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que morreu aos 93 anos após décadas lutando contra o problema.

Além de Reagan, o jogador de futebol Leônidas Silva, o Diamante Negro, morto no início de 2005 em razão deste mal.

A atriz Rita Hayworth, a eterna Gilda, também enfrentou a doença na década de 60, mas só teve o diagnóstico certo em 1987, quando morreu.

Exercícios e prevenção

A cura para o mal de Alzheimer ainda é um sonho impossível. Mas a prevenção, no entanto, está ao alcance de todos. Os médicos recomendam ingerir alimentos pouco calóricos e ricos em vitaminas B, C e E, além de praticar exercícios físicos e mentais.

A professora de geriatria da Faculdade de Medicina ABC, Maria Cristina Passarelli, cita estudos que apontam a baixa escolaridade como um fator de risco para os idosos. “Tem de se treinar de alguma maneira as capacidades intelectuais. Por isso, quanto menos as trabalha, maior os riscos.”

A especialista explica que, com o passar da idade, existe a perda de neurônios que, se não forem repostos, podem desencadear o Alzheimer. “Com mais atividade cerebral, estabelece-se maior número de conexões cerebrais, o que forma uma espécie de reserva de neurônios.”

Saídas – Maria Cristina sugere que as pessoas com mais idade criem o hábito de fazer pequenos exercícios durante o dia como palavras cruzadas, jogar xadrez e jogo da memória. “Vale ressaltar que isso não cura a doença, mas ajuda a retardar a manifestação dela”, diz a profissional.

Uma boa caminhada, musculação e também atividades amenas como ioga e tai-chi-chuan também são boas opções para não se deparar com a doença, assim como procurar a ajuda de um especialista logo que aparecerem os primeiros sinais de perda de memória.

O papel do cuidador

O papel do cuidador no tratamento de um paciente com Alzheimer é fundamental para sua recuperação. Pensando nisso, a unidade da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), em Santo André, disponibiliza cursos para formação dessas pessoas.

A representante da unidade, Danile Azevedo, diz que o principal objetivo dos encontros é informar os cuidadores sobre a doença. “Também fazer com que aceitem o diagnóstico, o que auxilia muito no tratamento.”

Outro fator importante colocado nos cursos é a importância da própria pessoa se cuidar, para ter um trabalho mais eficiente. Atenção com o corpo, a mente, alimentação e estresse são alguns pontos discutidos.

O diretor científico da Abraz, Paulo Bertolucci, diz que é primordial que o cuidador tenha em mente que manter a independência do paciente é determinante para ajudar no tratamento.

Encontros – Os grupos informativos são formados na terceira segunda-feira de cada mês e deles podem participar tanto os familiares quanto acompanhantes. Quinzenalmente, são feitas terapias comunitárias, nas quais todos se reúnem, inclusive os pacientes, para trocar experiências e dicas sobre a doença.

Para marcar o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, no dia 29 será feito um encontro, no Parque Ipiranguinha, em Santo André, que discutirá a importância da vida. O evento terá oficina de arteterapia, Doutores da Alegria, entre outras atrações, e ocorrerá das 9h às 16h.

Abraz – rua dos Tamoios, 70, Santo André. Tel.: 4972-7155

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Dicas para o cuidador

Estabeleça rotinas, mas mantenha a normalidade nas atividades desempenhadas no dia-a-dia.

Incentive a independência: deixe o paciente fazer sozinho atividades rotineiras como se alimentar e tomar banho. Faça com ele e não por ele.

Ajude o portador a manter sua dignidade e evite discutir suas condições com outras pessoas, na presença dele.

Evite confrontos que podem ocasionar estresse e dificultar no tratamento do paciente.

Mantenha seu senso de humor, mas com cautela. Assim, o ajudará a controlar o estresse e ainda assim o respeitará.

Torne a casa segura para evitar quedas: tire objetos pontiagudos, tapetes que podem gerar tropeços, use móveis com pontas arredondadas etc.

Encoraje o exercício e a saúde física recomendados pelo médico para incentivar o desenvolvimento físico e mental.

Mantenha a comunicação: use palavras-chave para lembrar fatos do passado, fale pausadamente, demonstre carinho ao paciente e preste também atenção na linguagem corporal.

Use artifícios para exercitar a memória como: mostrar fotos antigas, colocar placas indicativas nos respectivos cômodos da casa e relembrar sempre o paciente de fatos importantes.

Depoimentos

“Aos 60 anos, meu marido, que era muito rígido com regras, começou a ultrapassar o sinal vermelho. Achei estranho e fomos ao médico. Ficamos cinco anos acreditando no diagnóstico do neurologista: esclerose múltipla. Após o período, veio a constatação do Alzheimer. Ele ainda viveu mais 15 anos e, durante este tempo, procurei retribuir todo amor que ele havia me dado. Rogério passou por fases difíceis, fugiu de casa, ficou agressivo, mas tive paciência e soube reverter a situação. Ele era minha vida. Se me perguntassem se eu casaria com ele de novo, mesmo passando por tudo isso, não pensaria duas vezes para dizer sim.”
Jeronima de Paula Basito, 61, dona-de-casa, de São Bernardo

“Faz apenas cinco meses que minha mãe faleceu. Me pegou de surpresa, porque já fazia 16 anos que ela tinha o Alzheimer. Ela começou desmanchando a costura que fazia, nada a satisfazia. No começo, ainda nos reconhecia. Depois, começou a falar com parentes que já tinham morrido. Mas cuidei dela até o fim e tenho orgulho de não tê-la deixado em hospitais, porque Deus me deu força para usar todo amor e carinho que ela me deu quando era criança. Ela se tornou meu bebê grande.”
Verônica David, 69, dona-de-casa, Santo André

“Perdi meu pai para o Alzheimer há quatro anos. Assim que ele faleceu, o neurologista recomendou que eu e minha irmã fôssemos fazer exame, já que a doença é hereditária. Na época não deu nada, mas fiquei com isso na cabeça. Agora, me interessei em saber mais os sintomas porque, caso alguém na família tenha, já sei como cuidar. Quando meu pai teve os primeiros sintomas, foi difícil para nós lidarmos com a doença, já que nunca havia ouvido falar nesse mal.”
Marilene Romero, 49, doméstica, São Bernardo

“Há um ano descobrimos que minha mãe, que tem 95 anos, tem a doença. Além disso ela também sofre de leucemia. Estamos tratando com um neurologista e, para ajudar no desempenho dela daqui pra frente, resolvi freqüentar palestras que explicam como cuidar de um paciente com Alzheimer. Saber sobre a doença, os avanços que pode ter, os sintomas, os estágios, vai ser essencial daqui para frente.”
Emma Maria Geiger, 73, dona-de-casa, Santo André

1031/ A matrona petista

Julio César Cardoso* para o Jornal Metropolitano

A matrona petista do Senado, Ideli Salvatti, está fazendo história com suas pérolas arguciosas em defesa dos interesses sombrios de seu partido e aliados. Nada contra a sua aptidão subserviente lulista para encontrar justificativas para tudo, inclusive para defender o mandato do senador alagoano Renan Calheiros.

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Quem não se lembra de sua atuação no Senado por ocasião da reforma da Previdência Social, em que foram violentados os direitos adquiridos dos servidores federais inativos?

Naquela ocasião ela e o seu partido reprovavam veementemente o comportamento de alguns "companheiros" que teimavam em não atender ao comando petista, para votar com o governo a famigerada reforma previdenciária. E alguns foram até punidos com a expulsão do PT (ex-senadora Heloisa Helena, ex-deputados Babá e João Fontes, e a deputada Luciana Genro).

Agora curiosamente a combatente senadora de forma capciosa demonstra bom jogo de cintura ao declarar aos quatro ventos que os senadores petistas e aliados votassem o caso Renan de acordo com as suas consciências. Bravo, senadora, bravo! A senhora é uma grande estrategista. Está aprendendo muito com o seu mestre Lula.

Mas essa forma de fazer política de compadrio em que os interesses escusos de troca de favores falam mais alto só tem levado o Parlamento ao descrédito nacional. E a senadora Ideli Salvatti, que vendia uma imagem à nação, em defesa do governo federal, de seriedade política, claudica redondamente ao demonstrar apoio inequívoco a um político sobre o qual pairam fortes acusações sobre a sua vida particular e política. Então, onde está a moralidade política da líder do PT no Senado, para bem representar a sociedade brasileira, que fraqueja quando devia ser forte na defesa da honra do estamento nacional?

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado
Porto Alegre-RS

1030/ Achados fósseis de hominídeos mais antigos na Europa

FILOMENA NAVES para o DN OnLine

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Um crânio e esqueletos parciais de três adultos e um adolescente que viveram há 1,77 milhões de anos foram descobertos em Dmanissi, na Geórgia, o que faz deles os fósseis de hominídeos mais antigos encontrados até hoje fora da África.

Como se não bastasse o recorde, os restos fossilizados, que estão bem preservados, de acordo com os cientistas, mostram ainda uma série de características a um tempo primitivas e modernas, o que é “surpreendente”, e que traz novas peças ao quebra-cabeça da evolução humana.

Isso é, pelo menos, o que garante na edição de hoje da Nature o grupo de pesquisadores liderado por David Lordkipanidze, do museu nacional da Geórgia, que estudou o achado.

Os fósseis encontrados em Dmanissi, a 85 km a sudoeste de Tbilissi, a capital daquela república do Cáucaso, apresentam uma curiosa mistura de características primitivas e modernas. Entre as primeiras contam-se a altura dos indivíduos, entre 1,45 e 1,66 metros, um cérebro pequeno, entre 560 e 632 gramas, idêntica à massa cerebral de um australopiteco (anterior a estes, já que viveu entre há quatro e dois milhões de anos) e a ausência de torção do úmero (osso do braço), o que fazia com que tivesse as palmas das mão voltadas para a frente.

As suas características modernas são, por exemplo, as proporções corporais quase idênticas, justamente, às do homem moderno. Estes aspectos juntos fazem pensar, dizem os cientistas, em características de Homo habilis e Homo erectus (o segundo tendo sucedido ao primeiro no tempo) e na possibilidade de a história desta evolução ser afinal mais complexa, como o estudo de outro achado recente ocorrido no Quênia, e publicado também na Nature, já havia aventado.

Num comentário ao artigo de Lordkipanidze e sua equipe, publicado nesta mesma edição da Nature, Daniel Lieberman, antropólogo de Harvard, coloca justamente esta questão, ao afirmar que os fósseis descobertos em Dmanissi “parecem pertencer ao Homo erectus em muitos aspectos”, mas a sua variabilidade, que indica “uma estatura mais próxima do habilis do que do erectus”, refletem, assim, “a natureza transitória e variável dos primeiros Homo”.